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2 de jan. de 2011

O monastério dos monges perdidos


Os monastérios costumam ser locais de aprendizagem, virtude e sabedoria, porém, em algum lugar das montanhas do sul do japão existe um monastério destoante e avesso aos demais. um local esquecido pelos homens devido às suas origens e histórias regadas a loucura, sangue e maldade.

Por causa da brevidade de sua origem e a necessidade de sigilo sobre sua existência, poucos conhecem ou se quer ouviram falar de tal monastiério, mas embora o monastério possua pouco menos de duas décadas, sua história possui mais mistério do que qualquer outros monastérios milenares. 

Conta-se que existe um mal residindo o monastério; fala-se de espíritos imundos; e até mesmo de uma maldição, mas a verdade é que por algum motivo misterioso a loucura atingiu a todos os monges que viveram neste local. Aos poucos, com o passar dos meses, os monges iam sendo alvos de pesadelos, visões enlouquecedoras, e surtos paranóicos que os levavam à violência, loucura e assassínio.

Até mesmo o meio ambiente foi afetado por esse mal residente do monastério. Não só os monges se perderam, mas os animais se tornaram agressivos e violentos, e a vegetação parece não dar mais seus frutos como antes. Essas coisas chamaram atenção até de um Ainu que nunca mais foi visto após sua investigação no local.

Entre os monges mais antigos do pais, o assunto é evitado como algo que traz azar. No meio dos Ainu do norte, o tema é assunto para debate, pois existe algum mal capaz de corromper até a natureza e que de alguma forma aniquilou a existência de um dos mais experientes espíritos guardiões da natureza.

Para se entender o que existe no monastério e a origem de tanta maldade, devemos entender algumas verdades ocultas sobre a Rebelião Shimabara. É de conhecimento comum que esta foi uma revolta de camponeses, na sua maioria cristãos entre 1637 e 1638. Foi também uma das poucas revoltas em um período relativamente pacífico, o xogunado Tokugawa.

Em meados de 1630, camponeses da Península Shimabara e Ilhas Amakusa, insatisfeitos com excessivos impostos e o sofrimento dos efeitos da fome, se revoltaram contra os seus senhores feudais. À medida que a revolta se propagava, ronins também uniam-se ao movimento. Os descontentes e samurais, bem como os camponeses, começaram a se reunir em segredo para gerar uma rebelião civil-religiosa; que eclodiu em 1637, em pleno outono, quando o daikan local (agente fiscal) Hayashi Hyōzaemon foi assassinado.

Ao mesmo tempo, outros atos rebeldes ocorreram nas ilhas Amakusa e os rebelados aumentaram rapidamente as suas fileiras, forçando outras vilas a se juntarem à insurreição sob o comando de um carismático garoto de 14 anos, Amakusa Shirō, que fora escolhido como o líder da rebelião.

A rebelião ainda contou com auxílio dos holandeses que lhes deram pólvora e canhões. Amakusa Shirō liderou 37 mil pessoas de Shimabara e Ilhas Amakusa contra a perseguição aos cristãos japoneses e as tropas enviadas pelo Xogunato Tokugawa. A rebelião só foi contida quando o governo de Edo enviou uma tropa de 120 mil samurais comandada por Matsudaira Nobutsuna, homem de confiança do xogum que massacrou os rebeldes.

Neste momento é descoberto um misterioso poder oculto agindo por tras da rebelião. De alguma forma, o jovem Amakusa Shirō exercia fascínio e controle sobre suas tropas através do uso de uma pedras mística. Essa pedra não fazia referencia a nenhum rito cristão conhecido e com o passar das investigações foi descoberto até um culto oculto dentro da seita cristã de Shimabara.

Fato é que esta pedra causou doenças a muitos soldados e os próprios oficiais foram acometidos de pesadelos sinistros e assombrações noturnas. Ninguém sabe o que realmente é esta pedra, mas ela deveria ser banida e seguindo seus conselheiros, o xogum resolveu criar um monastério santo, com monges de grande sabedoria, que seriam os zeladores deste mal.

Com pouco mais de seis meses, todos os monges estavam doentes e loucos, e novos monges eram enviados para o local, até que a situação ficou fora de controle e nenhuma força humana poderia mais conter os poderes malignos que tomaram o monastério. Com essa realidade em mente, as estradas para o monastério foram desfeitas, árvores grandes e pedras foram usadas para apagar vestígios do templo, e assim o isolamento foi iniciado. 

O xogunato ainda tenta investigar as origens místicas dessa pedra, pois seria ótimo dominar tal poder, mas enquanto nada se descobre, é melhor para todos que a pedra mística de Amakusa Shirō fique escondida, perdida sob as sombras do monastério dos monges perdidos, encoberta por loucura, insanidade e demência.

5 de nov. de 2010

O justiceiro misterioso de Yagyu

Quem ele é? Eu não sei, mas sei que pelas mãos dele o japão esta sendo purificado e a esperança vem crescendo no coração de um povo abandonado por seus governantes.
sensei da 11ª geração de Yagyu Shinkage-Ryu 
Instrutor da casa de Tokugawa
Yagyu Jubei



Costumam dizer que o caráter de um homem se revela no escuro e que em situações de extrema tensão é que as pessoas manifestam os seus monstros interiores. Isso é bem verdade realmente. Tenho visto guerreiros se renderem ao caos e se entregando à um caminho de desonra como ronins, e isso por causa de dinheiro, comida e bebida!!!

São em dias difíceis como estes que os guerreiros provam sua honra no fogo. Muitos perdem o status, o conforto e o luxo, mas negam-se a perder a honra. Todavia, existem os que por muito pouco acabam sucumbindo ante às contigências da vida.

Várias vilas estão sendo saqueadas e muitos camponeses violados pela sanquinolência destes ronins malditos. Tudo seria muito mais tenebroso se ele não existisse! É verdade! A história seria muito pior caso o olho de bainha não estivesse solto por ai.

Eu confesso que nunca o vi, mas sei que é um samurai corajoso que peregrina pelo país, em busca de bandidos e ronins, realizando justiça com sua espada e operando em favor dos pobres e oprimidos.

Ninguém sabe o seu nome, mas parece que ele é um herói para o povo e aparentemente luta apenas pelo bem povo, pois nunca aceita nenhuma recompensa nem agradecimentos. Eu penso que ele deve ser louco, ou rico, ou os dois! 

Fato é que este justiceiro vem sendo o foco das fofocas por todo o império e  mesmo assim consegue manter o anonimato! Ou ele é muito humilde e prefere o silêncio ou então ele precisa se esconder...agora o motivo eu não sei!

E digo mais: O que será que o Xogun pensa dele? Será que a casa dos Tokugawa vai se levantar contra ele? Mesmo ele atuando efetivamente melhor do que qualquer guarda oficial? Bom, são perguntas que só o tempo responderá.

Só sei de uma coisa: Se você continuar fazendo as besteiras que vem fazendo e encontrar com um sujeito sisudo, vestido de preto, com um chapéu de palha, e um tapa-olho com uma bainha, fuja! Pois com certeza ele estará atrás de você.

Conversa entre dois Bushis, dos quais um irá morrer em breve.




O conto acima é apenas uma introdução aos relatos que serão abordados neste artigo. Houve no Japão, um guerreiro justiceiro que lutou anonimamente contra a criminalidade e o banditismo. seu nome era Yagyu Jubei Mitsuyoshie e sua história é fascinante, inspiradora e admirável.

Tal personagem é tão impactante que já foi utilizado em inumeras mídias. Foram filmes sobre sua história, aparições em animes e mangás e até mesmo em video games. Quem não lembra do personagem caolho que usa duas espadas em samurai shodown?

Em Tokugawa no Densetsu Jubei é um nobre sensei da capital, que vive ensinando o estilo de kenjutsu Yagyu Shinkage-Ryu para a guarda e samurais do xogunato Tokugawa. Secretamente ele é também um dos líderes de um recém-criado movimento rebelde, que tem como objetivo acabar com o descaso do xogunato pelas classes menos favorecidas da sociedade japonesa.

História real (ou quase) de Yagyu Jubei MitsuYoshi

De acordo com registros antigos e de duvidosa confiabilidade, o clã Yagyu descendia de Michizane Sugawara, um poeta da era Heian. Quaisquer que fossem suas origens, os Yagyu estavam entre os primeiros habitantes de um vilarejo ao norte de Nara, e que recebeu o nome do clã após terem sido apontados como guardiões do santuário Kasuga, localizado nas proximidades. Aparentemente a proteção do santuário era uma tarefa levada a sério, pois desde o século XIII a família Yagyu vinha dando origem a guerreiros de reputação formidável.

Yagyu Jubei Mitsuyoshi era um renomado guerreiro em seu tempo, mas os detalhes de sua vida, mesmo poucos anos após sua morte, se tornaram incertos devido infinidade de contos lendários sobre suas aventuras. 

A imagem comumente difundida de Yagyu Jubei Mitsuyoshi era a de um guerreiro corajoso trajado de preto, com o cabelo preso em um rabo-de-cavalo, uma bainha cobrindo seu olho cego (fato não comprovado pelas ilustrações da época) e um chapéu que o tornava ainda mais obscuro.

Diz a lenda, que ele viajava incógnito e sacava sua espada para salvar inocentes de malfeitores. A falta de documentação sobre sua vida tornou inevitável o surgimento de especulações. Mesmo assim, ele era considerado um espadachim poderoso, oriundo de uma família de espadachins ilustres, cujos membros estavam profundamente envolvidos nas vitórias que elevaram Tokugawa ao poder sobre o japão.

Dizem que ele morreu em casa, em 1650, mas a versão mais confiável é a de que ele faleceu na pequena vila Oh-kawahara Mura, perto de Yagyu No Sato, caçando falcões. Jubei tinha aproximadamente 44 anos.




28 de out. de 2010

O legado de Hattori Hanzo

Realmente essa linda lua cheia ilumina toda região montanhosa de Iga  e faz um cenário perfeito para a conversa deles, o casal ninja apaixonado. Devaneio! A tranquilidade dessa noite os faz delirar sobre um futuro e sobre uma vida de mansidão que nunca terão, pois caso tudo corra como o esperado, ninjas nunca encontram repouso ou sossego.

Diferentemente deste luar que contemplamos hoje, existem algumas noites do ano em que a lua parece brilhar menos, e outras onde a escuridão é tão intensa que parece estar viva. Nestas noites vultos tomam vida e sombras toma forma, sim! Em Iga nós aprendemos que nestas noites a melhor coisa a se fazer é trancar-se em um local seguro ou atirar-se nela como quem mergulha no mar e fundir-se à ela no melhor estilo Ninja.

Fato é que Shinzo sama sabe que sua vida como ninja do clã Hattori de Iga nunca será tranquila e seu romance com  Akemi san dificilmente resultará em um matrimônio normal, mas mesmo assim, antes de partir para mais uma missão secreta, eles se pegam outra vez pensando em como seria a vida caso não fossem ninjas de Iga.

Besteira meu senhor! Iga é o berço do Ninjutsu e de Hattori Hanzo, o maior ninja que já existiu! Quem poderá arrancar isso da historia? Ninguém eu presumo! AHahaha.....Ops!!! Preciso ser cuidadoso, mais um pouco e Shinzo sama vai notar minha presença....

Pobre Akemi san! Ela não sabia que amar Shinzo sama seria dormir com ansiedade todas as noites e ter a angústia por companheira e amiga, pois ele não é apenas mais um ninja de Iga, mas sim o próprio herdeiro de Hattori Hanzo Sama e próximo mestre do estilo HattoriRyu Ninjutsu .

O que deveria pacificar o coração dela é que Shinzo sama sempre está acompanhado por Goro e  por mim. Seus fiéis amigos e companheiros de missões! Realmente formamos um trio de arrebentar! Nossas habilidades se completam perfeitamente e nunca houve uma missão abortada ou fracassada, por isso sei que iremos voltar em segurança.

Não tema Akemi san! Eu, Iga no Kotaro, prometo que sempre trarei Shinzo sama em segurança para os seus braços! Se o seu coração escolheu ele ao invés de mim, eu preciso me certificar de que ele seja o melhor homem para você, pois assim eu não me sentirei trocado por alguém de pouco valor, antes ficarei orgulhoso e honrado por ter perdido seu amor para um valoroso e incomparável Ninja de Iga! Sim! Akemi san! Shinzo sama será seu e um dia vocês vão desfrutar deste amor com liberdade! Eu prometo! Nem que isso custe minha vida!

Por hora é melhor eu sair daqui! As despedidas devem estar perto do fim, afinal já está quase na hora de partirmos para Tachibana, e eu ouvi dizer que o daimyo de lá esta nas últimas....melhor eu ir embora logo!

Iga no Kotaro, em algum lugar das montanhas de Iga

Uma informação sobre ninjas: não se acreditava que fossem pessoas, mas demônios (suas vítimas, é claro). Poucos sabiam o que eram os ninjas de verdade. Lendas contam que nem aqueles à quem eles serviam sabiam quem eram, pois recebiam as missões por intermédio de outras pessoas no poder.

Os ninjas sempre foram vistos como um traço forte e fascinante da história do japão. Homens capazes de ações furtivas e feitos acrobáticos enquanto agiam como espiões e assassinos frios. Os ninjas são quase míticos e entre eles alguns receberam notoriedade incomum e sua arte marcial ainda sobrevive no mundo inteiro.

O mais famoso ninja da história foi, sem sombra de dúvida, Hattori Hanzo  Masashige (1541-1596). Sua familia era conhecida por reger a parte central da região de  Iga. As regiões de Iga e Koga são consideradas por muitos como o local do nascimento do ninjutsu e fato é que sua localização inóspida entre montanhas de difícil acesso facilitava o sigilo e anonimato de seus espiões e ninjas.

Em relação à Hattori Hanzo , devido a sua grande habilidade, aos 16 anos já era conhecido como "Hanzo o fantasma" e mais tarde como "Hanzo o demônio" (Oni no Hanzo). Seus muitos méritos lhe deram um grande reconhecimento, levando- o a ser condecorado com o comando dos samurais de Hassenshi. Um fato a ser ressaltado era sua ligação com seu Senhor, Tokugawa Ieyasu, de quem era chefe da policia secreta e responsável pela rede de informações. 

Hattori Hanzo morreu em uma batalha naval, em 4 de Dezembro de 1596, quando comandava uma frota que lutava contra os ninja de Fuma Ryu em Kanagawa. Após a sua morte, muitos de seus descendentes adotaram o nome de Hattori Hanzo, como um título por honra ao mérito. Por este motivo acredita-se que diversos feitos lendários de Hattori Hanzo, como o Ninpiden (texto clássico do ninjutsu), tenham sido na verdade desempenhados por seus sucessores e transmitidos equivocadamente como feitos do Hanzo Hattori  Masashige, o original.


Hattori Hanzo em Tokugawa no Densetsu
Sim! Existem muitos ninjas e cada um com uma habilidade mais inovadora que o outro. Verdadeiramente os ninjas de Tokugawa no Densetsu são os mais versáteis, criativos e imprevisíveis oponentes à se enfrentar.

Em conformidade com o costume de se nomear o maior ninja de cada geração como Hattori Hanzo, em Tokugawa no Densetsu temos um Hattori Hanzo também, mas ele não é o original, embora seja tão poderoso e habilidoso quanto o primeiro.

Hanzo vive em Iga, onde todo o seu clã está sediado e vem se fortalencendo a cada ano como um clã confiável e  tratando-se de um clã ninja, isso é um fato no mínimo incomum e digno de respeito. Hanzo é um homem sóbrio, sério e preocupado mais com seu legado do que com suas riquezas, um traço cultural passado para seu clã: A valorização da reputação mais do que das riquezas.

Além de Hattori Hanzo, existem outros ninjas de destaque em Iga e Kouga, mas com certeza Hattori Shinzo, Koga Goro e Iga no Kotaro são  os jovens ninjas de futuro mais promissor. Um deles é o filho unigênito de Hanzo e os outros são seus companheiros leais; outro fato incomum entre ninjas: Amizades verdadeiras.

Estes ninjas de Iga apareceram em Tokugawa no Densetsu para auxiliar o time Jiyu Tsubasa em uma missão. Juntos, eles formam um trio extremamente habilidoso e perito em invasão furtiva, espionagem e assassinato. Com grande perícia e ninjutsus incríveis, estes jovens ninjas irão fazer história e com certeza Shinzo será um Hattori Hanzo um dia.


Agradecimentos especiais a Pedro Borges san por sua ajuda na confecção do artigo.

26 de out. de 2010

A lenda de Masamune

“A espada é a alma do samurai”
Xogum Tokugawa Ieyasu
É um dia quente e o sol  esta à se por,  mas o som das ondas na beira da praia , o canto dos pássaros e toda a beleza da natureza parece não ser notada por eles. A verdade é que a única coisa que notam, são suas vidas se esvaindo, pouco a pouco, pelos cortes frios e gelados da afiada Zambatou* divina.
Estavam caçando o monstro assassino desde a província de Sagami e depois de horas de perseguição e lutas ele parecia cada vez mais sedento por sangue e cheio de fúria em seus olhos esbugalhados. Seu estilo de luta é ludibriante e em suas mãos a gigantesca Zambatou parece um leve bambu.

O medo corria pelo corpo dos insignificantes perseguidores. Eles sabiam que não tinham chance contra o monstro assassino, mas não podiam deixar ele escapar após derrotar tão humilhantemente o mestre Makoto.

Enquanto o sol se põe e a natureza se preparar para repousar de mais um dia, a Zambatou divina parece cansada de brincar e em poucos instantes destrói todo o ímpeto de vingança dos discípulos do velho mestre Sagami no Makoto, junto com suas vidas, em uma saraivada de golpes imprevisíveis.

O sol se pôs à dormir e com o acordar da lua veio também a satisfação do monstro assasino de Sagami conhecido como Tachibana Takeshi, o mais feroz de todos os samurais da casa de Tachibana. 

O poderoso samurai parte para sua casa realizado por ter conseguido obter a Zambatou divina, a arma que sempre desejou ter. Embora se lamentasse pela morte do bom e velho mestre  Makoto e seus alunos, Takeshi sabia que o velho não lhe entregaria a magnífica Masamune sem um duelo mortal, afinal era quase como uma relíquia do dojo da província de Sagami.

De posse de uma Zambatou criada pelo mestre ferreiro lendário Masamune, Tachibana Takeshi retorna cheio de esperanças, crendo que finalmente o seu estilo de luta em adição à esta maravilhosa Zambatou, serão reconhecidos pelo Japão como a arma suprema, capaz de derrotar qualquer samurai de Tokugawa e até mesmo Yagyu Jubei, o sensei do próprio filho do xogum.


A história real do lendário ferreiro

Masamune Okazaki também conhecido como Goro Nyudo Masamune (Padre Goro Masamune), é amplamente conhecido como o maior ferreiro de espadas do Japão. Mesmo não sendo conhecidas as datas em que nasceu e morreu, Masamune alcançou um status quase lendário. Entretanto, é consenso que ele fez a maioria das espadas entre 1288 e 1328 D.C. 

Foi ele quem criou as espadas conhecidas hoje como Katanas e as adagas chamadas Tanto, na tradição Soshu. Acredita-se que trabalhou e viveu na Província de Sagami

Como pai das Katanas, criou um tipo especial, que era longa e chegava a 150 centímetros de lâmina. Como ferreiro deixou um legado incrível e seu estilo recebe até hoje o nome de Masamune-to. 

Existe um prêmio para ferreiros de espadas chamado Prêmio Masamune no Japão. Embora não contemple ferreiros de espadas todos os anos, contempla ferreiros que fizeram trabalhos excepcionais. 


*Zambatou: Literalmente é "A espada que corta cavalos"é uma espada enorme e pesada, que foi criada para combates a cavalo, para cortar ao meio o general inimigo, mas diz-se que esta espada jamais foi usada como deveria por causa de seu tamanho e peso descomunal.

Em Tokugawa no Densetsua Zambatou divina é uma espada forjada pelo proprio mestre lendário Masamune Okazaki e fora por anos a honra e glória do dojo de Sagami, mas após a investida de Tachibana Takeshi a Zambatou divina ficou de posse da casa dos Tachibana e o dojo de Sagami fora extinto neste processo. Sua lâmina beira aos 150cm de cumprimento, possuindo cerca de 30cm de expessura sendo adornada com o Kanji do clã Tachibana.


21 de out. de 2010

Os selos da natureza

 
Ao sul de Ezo (Hokkaido) existe ainda um foco conhecido de população Ainu. Este povo sempre foi descriminado entre os japoneses e sua origem verdadeira é incerta, mas uma coisa pode-se dizer: os Ainus são excêntricos, simples e muito espirituais.

A palavra Ainu representa o ser humano em uma única palavra com varias qualidades negativas e positivas, que é diferente de Kamuy que significa todos os deuses Ainu, em tradução linguística para o português: Deus.

Admiram a simplicidade da vida, deixando as coisas misteriosas e ocultas sobre o controle de Kamuy (Deus). Estes simples aborígenes oram e realizam várias cerimonias para divindades, e entre elas estão os Deuses da natureza ( fogo, água, vento e trovão); Deuses animais ( ursos, raposas, corujas e baleias); Deuses plantas (cogumelos, árvores, bonsais); Deuses objetos (canoas e panelas); Deuses que protegem suas casas; Deuses das montanhas e Deuses dos lagos.

Em Tokugawa no Densetsu existe um mistério maior sobre os Ainus!

Eles são um povo especialmente ligados ao mundo espiritual, ao Chi e às forças elementais da natureza. Toda forma de vida é muito respeitada pelo povo Ainu. Cada vila Ainu é regida por um pequeno panteão de Deuses naturais e a cada geração são escolhidos 4 Ainus para cumprirem um dever sagrado de guardar os selos da natureza.

Cada guardião é escolhido a dedo por um guardião anterior, o que quase sempre faz surgir um vínculo de ancestralidade entre os guardiões, como um clã ou família. Estes guardiões devem manter distancia da sociedade mundana e preservar, com rezas e rituais, a manutenção do selo.

O que os selos da natureza guardam é um grande mistério, mas o que se sabe é que os guardiões não são Ainus normais, pois eles são investidos de tanta energia Chi em rituais sagrados que, segundo as lendas, eles abandonam a sua humanidade e transcendem ao estado de espíritos da natureza.

Os guardiões são reconhecidos pelo seu poder sobre o seu elemento natural; sua sensibilidade e carisma. Não existe nenhum traço que possa manifestar a diferença entre um Ainu comum e um guardião do selo, mas alguns guardiões verdadeiramente ultrapassam a capacidade humana de reter poder e verdadeiramente tornam-se unos com seu elemento. Tais guardiões por várias vezes são vistos portando um par de braceletes elementais sagrados (maior artefato bélico dos Ainus, dados somente aos seus mais poderosos defensores).

Ninguém sabe o que foi selado, nem quem selou, mas entre os Ainu corre a mística de que o selo é uma tentação incrível para os guardiões, pois o guardião pode liberar o selo em parte e absorver energia Chi bruta da natureza. Este artifício é evitado ou deixado apenas para situações de extrema urgência, por isso o contato com a sociedade mundana deveria ser evitado, pois na ordem simples da natureza, tais eventos cataclismicos nunca atingiriam o guardião, mas entre os humanos comuns, a qualquer momento pode-se demandar por mais poder.

Atualmente pouco se sabe sobre os guardiões elementais, mas é crescente o numero de boatos e rumores sobre O espírito que anda! Um misterioso homem que anda pelo Japão ajudando as pessoas carentes e lutando contra a peste e fome, utilizando de poderes incríveis de comunhão com árvores, animais e um grande controle sobre o elemento terra.

Se isso for verdade, estamos perto de saber se a proximidade com a sociedade mundana realmente exigirá do guardião o uso do poder do selo, e se sim, talvez estejamos próximos de saber o que os tais selos guardam.

Se a ordem lógica for usada, cada guardião representa um elemento básico da natureza, mas já existiram guardiões que eram regidos e controlavam elementos alternativos, como gelo, névoa, eletricidade, e até mesmo formas de vidas animais, como lobos e aves variadas.

Em resumo: Existe algo muito importante e sigiloso que precisa ser mantido longe da humanidade e para isso foi selado por alguém que designou 4 guardiões para os selos usados no processo. O que vai acontecer quando os selos forem retirados? Quem são os guardiões? O que está selado ou quem selou o que? Estas são perguntas que ainda esperaremos algum tempo para saber as respostas.....


14 de out. de 2010

Os 8 imortais

Na china se conta uma lenda que existiram oito guerreiros imortais de extremo poder e habilidade. Estes misteriosos sábio dedicavam seu tempo na prática da meditação, combinando as técnicas mais antigas de yoga Kai men e Chi Kung obtendo habilidades extraordinárias e ultrapassando os limites humanos.


Em Tokugawa no Densetsu, ninguém sabe como estes sábios se tornaram imortais, mas com o tempo gasto na meditação e aperfeiçoamento do corpo, mente e espírito eles tornaram-se peritos no Kung Fu e desenvolveram técnicas muito avançadas.

Cada um dos imortais peregrinou pela Ásia desenvolvendo suas técnicas e se aprofundando no conhecimento do universo. Dentro deste grupo seleto de oito grandes mestres, também havia uma monja, muito hábil em técnicas de perna e não somente ela, mas cada um dos grandes imortais possuía um estilo próprio de arte marcial especial.

Diz a lenda que eventualmente estes imortais se encontravam para compartilharem entre si os segredos que absorveram em suas peregrinações e num destes encontros eles decidiram que era a hora de unificarem seus conhecimentos e técnicas numa única arte marcial.

Cada imortal contribuiu com o que tinha de mais efetivo e poderoso em seu próprio estilo. Assim sendo, depois de um longo período o novo e poderoso estilo de Kungu Fu foi criado embora os próprios imortais achassem que seria impossível que alunos comuns conseguissem dominar seus movimentos que exigiam muita disciplina física e mental de seus praticantes.

Este estilo foi batizado de Zui Quan e foi levado aos mestres do Templo Shaolin para ser ensinado aos alunos mais avançados e dedicados. O Estilo Zui Quan exige um poder interno para dominar perfeitamente o equilíbrio e se destaca pela habilidade de enganar o inimigo, utilizando o desequilíbrio, giros, saltos, esquivas e acrobacias. 

As técnicas dos oito imortais são utilizadas com energia interna desde o Tan Tien, força da cintura, quadris e ombros. A finalidade deste estilo é manter o corpo em bom estado fisicamente, transformando e armazenando energia Chi. Sua prática leva a mudanças físicas salutares nos órgãos internos e glândulas endócrinas, incrementando o fluxo de hormônios, fortalecendo o sistema imunológico e por consequência a saúde como um todo.

Com a destruição do Templo Shaolin, alguns monges que escaparam, esconderam-se em aldeias e para evitar serem reconhecidos trocavam seus nomes e se vestiam como mendigos. Em cada aldeia, deixavam ensinamentos, que eram melhorados e adaptados aos costumes e estruturas físicas dos aldeões.


Com o passar do tempo, este estilo Zui Quan ficou conhecido como O estilo do mestre bêbado, ou Punhos embriagados. Não se sabe se realmente a ideia original dos oito imortais era criar um estilo de luta embriagado, mas na ausência de uma resposta, até a lenda vem sendo mudada com o passar dos anos chegando a ser chamada de a lenda dos oito bêbados imortais.

Independente do paradeiro dos imortais, o seu legado esta entre nós: Zui Quan a arte do mestre bêbado.  Por tanto tome cuidado quando for importunar algum bêbado por aí, pois nunca se sabe quando encontraremos um verdadeiro mestre de Zui Quan, afinal, muitos mestres do estilo se tornaram alcóolatras para aperfeiçoarem cada vez mais seu estilo tão precioso.


Nota: O estilo Zui Quan foi exposto segundo as mecânicas de M&M no artigo Estilo de lutas especiais

 

13 de out. de 2010

O tengu e a jovem Narume


 "A tristeza me abate e  a impotência me assola! Nada anseio além de ter minha neta aqui agora!
Será que nos altos céus alguém pode ouvir este pobre velho a rezar?
Será que antes de morrer poderei lhe abraçar?" 
Oração de um velho avô desconsolado

Um surto epidêmico e a fome de Tenmei (1785) fizeram grande estrago no pequeno feudo de Azottou, localizado entre Nagasaki e Shimabara. Entretanto, estes eventos não se comparam com a desventura que se abateu sobre o pequeno castelo do daimyo de Azottou.

Com a situação crítica da saúde dos habitantes do feudo, a ordem geral foi para que os habitantes contaminados pela peste fossem mantidos isolados do resto do feudo. Isso foi fácil de se realizar até o momento em que a peste se alastrou desordenadamente por conta do contato do povo com animais contaminados.

As febres, delírios, dores musculares e dores intensas de cabeça incomodavam o povo, mas o daimyo não conhecia este sofrimento em sua própria carne e por conta disso sua insensibilidade com os moribundos era grande e crescia tanto quanto percebia que diminuía a capacidade de produção agrícola de suas terras.

O surto epidêmico e a fome se agravaram ao ponto em que o daimyo teve que ordenar o assassinato dos doentes em estagio avançado de contaminação e o confisco dos alimentos da população do feudo, para que o castelo pudesse se manter em isolamento por algum tempo.

A ira do povo foi grande mas o esgotamento era geral e nenhuma revolta podia ser sustentada contra os dez samurais de Azottou e suas lâminas sanguinolentas à favor do daimyo. Por conta disso, os habitantes do feudo tiveram que simplesmente definhar com a fome e a peste em suas casas, pois nem lhes era permitido abandonar o feudo.

Após algum tempo pessoas começaram a morrer e depois de algumas semanas, pessoas começaram a sucumbir diante da calamidade e a se entregarem em atos de antropofagia angustiada. O clímax da desgraça foi quando uma mãe comeu o próprio filho recem nascido que morrera desnutrido.


Neste cenário inóspito foi que a jovem Narume provou o sabor do abandono e desamparo.  Ficou órfã de pai e mãe devido a peste e passou a viver apenas com seu moribundo avô. Foi isso que motivou a pequena a invadir o castelo de Azottou em busca de alguma comida para seu avô.

Narume invadiu o castelo pelo bosque dos fundos e acabou sendo atacada por mosquitos transmissores da peste. Desperada com esta situação, a pequenina corre para a fonte do jardim do castelo na esperança de que a água possa ajuda-la a evitar a contaminação. Sua iniciativa foi frustrada por um dos dez samurais que acabou afogando-a cruelmente na pequena fonte.

Os sentimentos de ira da população em relação aos maus tratos que recebiam do daimyo e seus dez samurais, adicionados as angústias que o velho avô de Narume sentia de sua neta, acabaram por engatilhar um macabro e assustador evento. Três dias depois da morte de Narume, os dez samurais de Azottou  começaram a ser importunados por uma presença zombadora e escarnecedora.

As orações desesperadas dos desgraçados moradores de Azottou e do desesperado avô de  Narume fizeram uma conexão mística com o mundo dos espíritos e o implacável espírito conhecido como Konoha Tengu grisalho começou a visitar o castelo de Azottou a cada noite.

Os sonhos dos dez samurais se tornaram em pesadelos devido aos constantes ataques mentais da criatura de pele vermelha dona de um imenso nariz fálico, assim sendo, dia após dia o castelo ia ficando cada vez mais assombrado. Os dez samurais começaram a surtar diante do horror irritante e sinistro que o tengu fazia cair sobre suas almas. A cada noite a criatura clamava por Narume e por retratação. Foram necessários dez dias para que o tengu tornasse o castelo do daimyo em um pólo de energias sinistras e atividades fantasmagóricas.

Durante estes dias, o fantasma da jovem Narume constantemente corria pelos corredores do castelo com a face ferida pelos mosquitos e cantarolando musicas infantis. Essa presença afligiu tanto os moradores do castelo que a fonte onde a menina fora afogada foi totalmente destruída, numa tentativa desesperada de que isso talvez libertasse a alma da jovem para o descanso eterno.

Diante desta situação alarmante, o daimyo de Azottou resolveu recorrer ao Xogun Tokugawa, na esperança de que ele possa eliminar a ameaça do tengu antes que todo o castelo seja consumido pela criatura, mas o que ele não sabia era que o Konoha Tengu grisalho somente deixará Azottou quando conseguir sanar os sentimentos de perda e saudades do avô de Narume e quando eliminar totalmente todas as pessoas que abusam de seu poder social e status para oprimir e maltratar a população carente do feudo.

Enquanto o daimyo viaja o país atrás de ajuda, o tengu enlouquece o castelo com seus poderes ilusórios e sua criatividade macabra e isso deve permanecer assim por toda a eternidade até que o povo se sinta vingado e o avô de Narume consolado.

É o fim....por enquanto

11 de out. de 2010

O Prelúdio


"Enquanto os poderosos se matam por terras e riquezas os pequeninos morrem de fome e doentes. Darei minha existência se por ela a paz nascer no amanhã"
                                                   O Espírito que anda


Após quase dois séculos de consideravel tranquilidade e prosperidade sob o dominio Tokugawa, uma crise se instaura em 1785. No periodo chamado de Era Tenmei uma grande fome assola o pais e parte da população, daimios e samurais descontentam-se com o descaso manifestado pelo Xogum Tokugawa. Um tempo de caos se inicia com aumento no numero de crimes nas estradas e proliferação do banditismo nas cidades.

Como o código Bushi rege o governo os samurais se encontram no topo da sociedade, mas formam uma "nobreza falida", pois são proibidos de possuirem terras próprias ou riquezas e são em sua maioria vassalos de luxo com altos salarios. Com os dias ruins da era Tenmei muitos foram dominados pelo medo de uma demissão seguida de miséria, afinal não sabiam nada rentável além de lutar. Por conta disso se tornou comum a prática de assassinatos e duelos por parte de samurais e ronins, motivados pela cobiça, ganancia ou apenas desespero ante a calamidade vindoura.

Quem é quem na campanha?

  • Os andarilhos errantes e ronins vagam pelo pais buscando aperfeiçoar e testar suas habilidades com a espada, mantendo-se de apostas e recompensas.
  • Os Ainus (povo aborígene, pacífico, recluso e místico) se aproximam da população para ajudarem os necessitados com seus conhecimentos medicinais, medidas curativas e preventivas.
  • Os artistas Kabukis são obrigados pela necessidade a desenvolverem habilidades de luta para sobreviver aos perigos da vida intinerante pelas estradas e cidades do pais.
  • Os monges se tornaram mais ativos no cotidiano do povo a fim de dissiminarem a serenidade e pacifismo entre os descontentes e desafortunados.
  • Os ninjas continuam como sempre: em todos os lugares e em lugar nenhum! Fazendo o que melhor sabem fazer e por um alto preço.
  • Os estrangeiros foram totalmente banidos do pais, apenas chineses e holandeses permanecem.  

Religião

O budismo e xintoismo são as religiões predominantes. O cristianismo foi abolido e seus adeptos exterminados. O Bushido é quase uma religião para guerreiros samurais e os ainus são os mais sinceros na devoção espiritual religiosa.

Neste cenário de instabilidade politica, incertezas economicas e artes marciais é que nossas katanas irão ser usadas.

Hajimeeeeeeee!!!!